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DADOS DO MUNIC√ćPIO


MUNIC√ćPIO: S√£o Jo√£o das Miss√Ķes - √ĀREA: 679,89 Km¬≤

REGIÃO: Norte de Minas Gerais ZONA: Alto Médio São Francisco

(MICRO REGIÃO DO VALE DO PERUAÇU)

POPULA√á√ÉO DO MUNIC√ćPIO: 11.715

N√öMERO DE DISTRITOS : 01 (Rancharia)

NÚMERO DE POVOADOS: 43 (31 aldeias na Terra Indígena Xakriabá)



HIST√ďRIA DO MUNIC√ćPIO

No decorrer do Terceiro-Governo Geral, √©poca em que o desconhecido interior do Brasil, ent√£o, Col√īnia portuguesa, constitu√≠a um desafio e um convite √† intrepidez dos desbravadores brasileiros, grandes expedi√ß√Ķes se formaram e partiram, principalmente, de Salvador e S√£o Paulo, costa adentro, com miss√Ķes, as vezes, pr√©-definidas pela administra√ß√£o central.

O bandeirante paulista, Matias Cardoso de Almeida, um dos mais famosos caudilhos da √©poca, juntamente com o seu filho Janu√°rio Cardoso, seu primo Manoel Francisco de Toledo, e o seu cunhado, o paulista Ant√īnio Gon√ßalves Figueira, numa expedi√ß√£o legal, composta de 57 homens da lida (incluindo √≠ndios mansos), 01 escul√°pio, 02 padres e 12 escravos arcabuzeiros, h√°beis no fabrico de bacamartes e dos mais destros no manejo das armas de fogo, partiram de S√£o Paulo rumo ao norte, chegou ao Rio das Velhas e percorreu at√© a sua foz, entrou no novo estu√°rio e navegou em √°guas calmas, at√© o alto m√©dio S√£o Francisco.

A finalidade da expedi√ß√£o, tal como vinha enunciada na patente de Capit√£o-Mor, concedida a Matias Cardoso de Almeida, era a conquista de na√ß√Ķes gent√≠licas e bravas, a ‚Äúpreia‚ÄĚ de ind√≠genas e ‚Äúquilombolas‚ÄĚ (escravos fugitivos).

Por um per√≠odo de, mais ou menos, seis anos (1689 a 1695), Matias Cardoso de Almeida, feito ‚ÄúMestre-de-Campo e Governador absoluto da guerra dos b√°rbaros‚ÄĚ, dedicou-se a debelar aldeias ind√≠genas, ao longo do Rio S√£o Francisco.

Na √°rea em torno de Cap√£o de Cleto, Matias Cardoso de Almeida, j√° nomeado ‚ÄúAdministrador das Aldeias‚Äô‚Äô, foi informado por um de seus descendentes, que ‚Äúencontraram um grande n√ļmero de ind√≠genas na embocadura de um tribut√°rio do Rio S√£o Francisco‚ÄĚ. Montaram acampamento na Ilha do Cap√£o e ficaram alguns dias a espreitar, de onde avistaram um grupo de √≠ndios na foz do Rio Itacarambi. Sa√≠ram em persegui√ß√£o aos nativos, e no dia 24 de junho de 1.695, surpreenderam a tribo dos Shacriab√°s (Chicriab√°s, Xicriab√°s, Xacriab√°s), aldeados as margens do Itacarambi, a uma distancia de duas l√©guas e meia da desembocadura do rio. Fizeram-lhe a princ√≠pio guerra e, em seguida, por√©m, trataram com eles e firmaram pazes (Saint-Hilaire,1938 b, II 320).

Religiosos liderados pelo Padre Miguel de Carvalho, criaram ali, uma missão sob o auspício da Igreja Católica, com a finalidade de catequizar, efetuar registros de nascimentos, casamentos e óbitos, bem como, a de promover a assistência social.

A partir daquele dia, foi de fundamental import√Ęncia o papel da catequese e da influ√™ncia social dos religiosos sobre a vida dos ind√≠genas, principalmente, na convers√£o do √≠ndio ao credo cat√≥lico. Naquela √©poca, os acontecimentos importantes eram associados √†s datas religiosas, e como o primeiro contato e confronto dos brancos com os integrantes da tribo dos Xacriab√°s se deu em 24 de junho, dia consagrado a S√£o Jo√£o Batista, deram √† localidade, a denomina√ß√£o de MISS√ÉO DO SENHOR S√ÉO JO√ÉO.

Com a for√ßa do trabalho √≠ndio, conseguido de forma amig√°vel, atrav√©s do escambo, realizado com peda√ßos de tecidos, anz√≥is, espelhos, pratos, talheres, facas, canivetes e √†s vezes, foices, machados e fac√Ķes, os jesu√≠tas, edificaram a (*) Igreja de S√£o Jo√£o, em dois anos 1.697/1.698, e para ornament√°-la, contratou os servi√ßos de um artes√£o da Tribo, segundo os mais antigos, av√ī do Cacique Xacriab√°, Estev√£o Oliveira (Trinca-Ferro), o √ļltimo dos remanescentes a falar, fluentemente, o idioma nativo.

Foi das m√£os desse artes√£o que originou a imagem de S√£o Jo√£o dos √ćndios, denomina√ß√£o que o arraial passou a ter, at√© a eleva√ß√£o a categoria de Distrito, sob a denomina√ß√£o de S√£o Jo√£o das Miss√Ķes, at√© ser extinto pela Lei n¬ļ 45, de 17 de mar√ßo de 1.836. Em 1.726, ao retornar de S√£o Paulo, Janu√°rio Cardoso de Almeida, filho de Matias Cardoso, reconstruiu a igreja que foi edificada pelo pai, no arraial de Morrinhos, em homenagem a Nossa Senhora da Concei√ß√£o. Em visita √† Miss√£o de S√£o Jo√£o dos √ćndios, Janu√°rio Cardoso, levou para a igreja reconstru√≠da na freguesia de Morrinhos, a imagem de S√£o Jo√£o. Misteriosamente, no dias depois, a imagem foi reencontrada no tronco de uma √°rvore, pr√≥xima √† igreja de S√£o Jo√£o dos √ćndios (hoje S√£o Jo√£o das Miss√Ķes), provocando aos presentes, um sentimento misto de admira√ß√£o e medo.

Intrigado com o acontecimento, Januário Cardoso de Almeida, mandou buscar a imagem de volta, e a enigmática história se repetiu: a imagem foi reencontrada no outro dia no altar-mor da igreja de São João.

A not√≠cia se espalhou, aqui e acol√°, correu mundo e fez hist√≥ria! . . . Atribu√≠ram ao acontecimento inexplic√°vel e de ocorr√™ncia extraordin√°ria, a opera√ß√£o de um verdadeiro milagre, fato esse que deu origem ao culto √† imagem de S√£o Jo√£o dos √ćndios, transformando o santu√°rio da Igreja, num centro de peregrina√ß√£o crist√£, visitado por devotos oriundos de diversas partes do Brasil.

S√≥ mais tarde se descobriu, que a imagem era seq√ľestrada a mando do dito bandeirante, voltava pelas m√£os dos √ćndios Xacriab√°s, que inconformados, na escurid√£o das noites mortas, invis√≠veis como o Saci Perer√™, visitavam √†s horas zero, a igreja de Nossa Senhora da Concei√ß√£o do arraial de Morrinhos e resgatavam a estatueta sagrada, trazendo-a de volta para o altar de origem.

CARACTER√ćSTICAS DO MUNIC√ćPIO

S√£o Jo√£o das Miss√Ķes(MG) foi emancipado no dia 21 de dezembro de 1995, atrav√©s da Lei 12.030, desmembrando-se do munic√≠pio de Itacarambi(MG).

Ap√≥s as elei√ß√Ķes de 03 de outubro de 1996, houve a instala√ß√£o pol√≠tica administrativa do Munic√≠pio no dia 01 de janeiro de 1997, com a posse dos agentes eleitos. Constituem o Poder Executivo Municipal, o Prefeito e o Vice-Prefeito. O poder Legislativo Municipal √© composto por nove Vereadores.

A divis√£o administrativa do munic√≠pio constitui-se da Sede, do Distrito de Rancharia, 12 povoados e 31 aldeias na Terra Ind√≠gena Xacriab√°. O Munic√≠pio ocupa uma √°rea territorial de 679,89 Km¬≤, sendo que a reserva Ind√≠gena Xacriab√° ocupa uma √°rea de 530,74 Km¬≤, o que corresponde a 78,07% da superf√≠cie total da municipalidade. Situa-se na micro-regi√£o do Vale do Perua√ßu (Alto M√©dio S√£o Francisco), norte do Estado de Minas Gerais. Limita-se com o munic√≠pio de Mirav√Ęnia, Manga e de Itacarambi.

S√£o Jo√£o das Miss√Ķes fica a uma dist√Ęncia de 663 Km de Belo Horizonte (capital) e a 247 Km de Montes Claros, cidade p√≥lo do norte de Minas, sendo o acesso realizado atrav√©s da BR-135. Posiciona-se a 18 Km do rio S√£o Francisco e √© marcado pelo Rio Itacarambi que banha quase todo o territ√≥rio do Munic√≠pio.

A sede do munic√≠pio de S√£o Jo√£o das Miss√Ķes fica a uma altitude de 480,2463 metros com rela√ß√£o ao n√≠vel do mar, latitude sul 14¬ļ53‚Äô01‚ÄĚ, longitude 44¬ļ05‚Äô26‚ÄĚ. O munic√≠pio est√° sujeito a um clima tropical √ļmido de savanas, com inverno seco, em transi√ß√£o, no sentido nordeste, para um clima quente e seco, com chuvas de ver√£o. A relativamente pequena varia√ß√£o da temperatura ao longo do ano, nestes climas, faz da vari√°vel precipita√ß√£o, o principal par√Ęmetro hidroclimatol√≥gico do Munic√≠pio, sob o ponto de vista de explora√ß√£o agr√≠cola. A varia√ß√£o mensal das precipita√ß√Ķes e a exist√™ncia de um per√≠odo bastante seco, nos meses de maio, junho, julho, agosto e setembro.

O tipo de vegeta√ß√£o predominante em S√£o Jo√£o das Miss√Ķes, expressa-se por cerrado com √°reas mescladas de caatinga ao centro-oeste. Tem 18 estradas vicinais, sendo tr√™s revestidas com cascalho e quinze com leito de ch√£o batido.

ATIVIDADES ECON√ĒMICAS

A principal atividade econ√īmica desenvolvida no Munic√≠pio, √© a agropecu√°ria. A agricultura √© representada no cultivo irrigado e de sequeiro. Faz parte da cultura irrigada, o plantio de feij√£o, milho, cana-de-a√ß√ļcar e tomate. No sequeiro, a cultura do milho, feij√£o catador, mamona e mandioca. A pecu√°ria √© desenvolvida com o objetivo de produzir bezerros para a venda, sendo, tamb√©m, praticada a pecu√°ria leiteira, despertando, tamb√©m, a cria√ß√£o de caprinos, ovinos e peixe.

O feij√£o, mamona e o tomate, s√£o respons√°veis por 70% de toda produ√ß√£o. 99% da produ√ß√£o de tomate se destina √† ind√ļstria de transforma√ß√£o, comercializado junto a Karambi Alimentos, sendo a mamona com a Petrovasf, empresas sediadas no munic√≠pio de Itacarambi. Soma-se a estas atividades, as pequenas fabriquetas de farinha, rapadura, cacha√ßa, queijo, etc.. Demais produtos abastecem o mercado interno e o restante √© comercializado na regi√£o. A maior parte do leite bovino √© comercializado com a Nestl√©, e o restante destinado ao abastecimento do mercado local.

DADOS GEO-HUMANOS

A população estimada pelo IBGE em 2008, é de 12.489 habitantes.

A popula√ß√£o, no geral, apresenta-se como a maioria das popula√ß√Ķes interioranas, refletindo, particularmente, as caracter√≠sticas de uma comunidade situada na √°rea mineira da ADENE-Ag√™ncia de Desenvolvimento do Nordeste, onde prevalece condi√ß√Ķes de extremada pobreza, pouco desenvolvimento econ√īmico/social e um √≠ndice pluviom√©trico relativamente baixo. O Col√©gio Eleitoral √© formada por 5.437 eleitores.

A ETNIA XACRIAB√Ā

? A Nação Indígena Xacriabá, foi contatada em período remoto da história da colonização. Foi no século XVI, que a expedição do Mestre de Campo Matias Cardoso de Almeida, bandeirante paulista que consagrou parte da sua vida a debelar aldeias indígenas no sertão mineiro, perseguiram e surpreenderam os Xacriabás aldeados às margens do rio Itacarambi, e num duelo desigual das raças, decretaram a morte de centenas de nativos, tingindo de vermelho, as águas cristalina do Itacarambi, com o sangue das frágeis vítimas daquele funesto acontecimento, no histórico dia 24 do mês de junho de 1695.

O processo hist√≥rico de catequese dos silv√≠colas e de coloniza√ß√£o da terra Xacriab√° foi caracterizado pelo uso indiscriminado da viol√™ncia contra os nativos, atrav√©s de guerrilhas de repress√£o e exterm√≠nio, resultando em um verdadeiro e nef√°rio genoc√≠dio. Os sobreviventes desta ra√ßa foram obrigados a desenvolver diversificados meios e estrat√©gias de sobreviv√™ncia, ao pre√ßo da ren√ļncia de suas tradi√ß√Ķes, despojados de tudo e desenraizados do seu mundo original. Para escaparem √†s persegui√ß√Ķes dos colonizadores utilizavam da camuflagem dos diferenciais √©tnicos (l√≠ngua, usos e costumes), que uma vez √† vista tornavam os √≠ndios vulner√°veis √† repress√£o e √†s viol√™ncias de colonos e colonizadores, e em muitas vezes, expostos √† f√ļria dos Capit√£es de Mato, contratados pelos Mestres de Campo que tinham a aval da Coroa Portuguesa, para debelar aldeias ind√≠genas e capturar escravos, aos quais, a lei em regulamentos especiais concediam poderes discricion√°rios, contra aquelas miser√°veis criaturas que fugiam aos grilh√Ķes da escravid√£o.

Em 1.726, ao retornar à região norte mineiro, Januário Cardoso de Almeida, filho de Matias Cardoso e seu sucessor, encontra decadente arraial de Morrinhos, fundado pelo pai, arrasado pelos ataques de indígenas e pelas sucessivas enchentes. Reconstruiu em outro local, a igreja edificada em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, e parte na reconquista de territórios na Bahia, depois de consolidar o seu prestígio como primeiro potentado, de reino absoluto sobre territórios da bacia do rio São Francisco.

√Č nessa fase a etnia Xacriab√° da ‚ÄúMiss√£o de S√£o Jo√£o‚ÄĚ, recebe em doa√ß√£o, por parte de Janu√°rio Cardoso, devidamente autorizado pela Coroa Portuguesa, uma faixa de terras, cujos limites foram definidos em documento firmado no ‚ÄúArraial de Morrinhos‚ÄĚ, cuja escritura, lavrada em 10 de fevereiro de 1728, ecoa como uma ‚ÄúConstitui√ß√£o‚ÄĚ para os √≠ndios e denota a presen√ßa de uma Miss√£o de Catequese, com um aldeamento √†s margens do Rio Itacarambi, a ‚ÄúMiss√£o do Senhor S√£o Jo√£o‚ÄĚ, cujo local, os √≠ndios eram ‚Äúrecolhidos‚ÄĚ pelo cl√©rigo para o serm√£o doutrinal, e aos rebeldes, chicoteados para acabar com o ‚Äúabuso de serem bravos, pelos capit√£es-de-campo, contratados para a captura dos subversores‚ÄĚ.

A partir do s√©culo XIX a Na√ß√£o Ind√≠gena Xacriab√° passa a receber e estabelecer contato com retirantes baianos, migrantes da regi√£o seca do sul da Bahia e negros alforriados que edificaram uma valhacouto no ent√£o conhecido como ‚Äúterreno dos caboclos‚ÄĚ. Sabendo que ali se tratava de terras dos √≠ndios, com limites fixados pela doa√ß√£o de 1.728, em cuja escritura, estar patenteada √† ordena√ß√£o e controle territorial que o potentado exercia na regi√£o, os imigrantes pediam permiss√£o ao Cacique para cultivar a terra, fazer ro√ßados e moradas. Permiss√£o concedida, estabelecia-se o pacto e o L√≠der determinava o local para compartilhar o territ√≥rio. A diversidade dos Xacriab√° foi tecida ao longo do tempo, de gera√ß√£o em gera√ß√£o, atrav√©s das miscigena√ß√£o provocada pelos casamentos esp√ļrio e das alian√ßas pol√≠ticas. Desta feita, os Xacriab√°, marcados por uma hist√≥ria de lutas e acordos, garantiram, at√© ent√£o, a ocupa√ß√£o de um grande territ√≥rio, sob a lideran√ßa inconteste dos caciques. Com o passar do tempo os filhos de ocupantes, vieram reivindicar a propriedade da terra, o que resultou em diversos conflitos com os Xacriab√°. Esses embates se agravaram com a edi√ß√£o da Lei da Terra de 1.850, que versava sobre o reordenamento fundi√°rio, atrav√©s da consolida√ß√£o das propriedades rurais, via procedimento cartoriais, onde a titula√ß√£o passa a sobrepor a posse efetiva da terra. Com essa Lei a integridade do territ√≥rio √© amea√ßada, agora n√£o apenas pelos descendentes dos imigrantes do sert√£o

baiano, mas, também, por fazendeiro que tentavam titular a terra indígena como suas. O grupo respondeu a essa ofensiva, constituindo um representante e registrando o termo da doação de 1.728, no livro paroquial da Vila Januária, sede da comarca, em 19 de abril de 1956 e em Ouro Preto, Capital da Província.

√Č a partir dessa nova investida que ocorre um dos mais graves conflitos j√° registrado na historia do grupo Xacriab√°, o epis√≥dio do inc√™ndio do curral de varas ocorrido em 1.927, quando os √≠ndios incendi√°rio um curral constru√≠do com varas e estacas de aroeira, por fazendeiros em territ√≥rio ind√≠gena, pr√≥ximo ao local onde realizava rituais religiosos. Em repres√°lia, os √≠ndios sofreram um verdadeiro massacre, p√īr parte de fazendeiros da regi√£o e que contou com o aux√≠lio de for√ßas da Pol√≠cia Militar, resultando na morte de grande n√ļmero de nativos e na dispers√£o do grupo por algum tempo.

No início da década de 30, registra-se uma nova investida sobre o território foi observada através de requerimento de parcelamento e oficialização de posses de não índios, dentro dos limites da terra doada, movimento que incluiu a divisão da fazenda Sumaré.

Novamente, o grupo parte e desta vez constitui Advogado e registra no Cart√≥rio de Paz de Registro Civil de Itacarambi, duas procura√ß√Ķes em 23 de mar√ßo de 1.930. Uma para impetrar a√ß√£o competente contra todos aqueles que invadirem os terrenos destes outorgantes, aos mesmos concedidos por doa√ß√£o. A outra para representa-los no requerimento de parcelamento da Fazenda Sumar√©. No ano seguinte de 1.931, o termo de doa√ß√£o de 1.728, √© registrado no dia 28 de fevereiro, no mesmo Cart√≥rio de itacarambi, sob o t√≠tulo: ‚ÄúCertid√£o Verbum ad verbum‚ÄĚ uma Doa√ß√£o.

Na d√©cada de 40, com a promulga√ß√£o da Lei de n¬ļ 550, de 1949, o territ√≥rio ind√≠gena sofre um duro golpe e quase fatal. Passa a ser considerada, oficialmente, como terra devoluta. O controle territorial ind√≠gena vem ent√£o sofrer grande abalo ao ser os √≠ndios declarados pelo Estado, como posseiros.

Assim mesmo, resistem e conseguem manter o controle territorial, at√© o final da d√©cada de 70, quando os √≥rg√£os fundi√°rios oficiais come√ßam a intervir na regi√£o. Sob tanta amea√ßa e continuamente pressionados para vender suas supostas posses, antes que as perdessem definitivamente. Muitas fam√≠lias venderam a pre√ßos irris√≥rios, faixas de terras por elas utilizadas. Nessa √©poca o IDRA, √ďrg√£o Federal vem cadastrar para fins de reforma agr√°rio os ocupantes ind√≠genas da regi√£o, oportunidade reconhecida por algumas fam√≠lias ind√≠genas, como necess√°ria para garantir a posse territorial. Posteriormente o Instituto de Terras do Estado de Minas Gerais, atrav√©s da RURALMINAS, respons√°vel pela regulariza√ß√£o das terras devolutas no Estado, intervem na regi√£o titulando as posses adquiridas por n√£o √≠ndios. Tal interven√ß√£o desconheceu o direito ind√≠gena sob o territ√≥rio o que ocasionou in√ļmeros conflitos, ao pre√ßo de muitas vidas que foram ceifadas durante embates cru√©is e sangrentos. A perda de faixas territoriais veio se consubstanciar nos n√£o reconhecimento oficial dos seus direitos territoriais, seguido da exclus√£o das fam√≠lias ind√≠genas dos mecanismos de regulariza√ß√£o, uma vez que a grande maioria, n√£o podiam preencher as condi√ß√Ķes impostas pela RURALMINAS: a) pagar as taxas previstas nos contratos de renda e ocupa√ß√£o;b)atender ao m√≥dulo m√≠nimo de 110 hectares.

Dessa maneira apesar de perderem faixas do território, continuariam ocupando-o em faixas remanescentes, aguardando providências reivindicadas junto à FUNAI, no sentido da regularização da terra, o que veio a ser atendida em 1978.

SITUAÇÃO SOCIAL

Mais de 3.000 pessoas, anualmente, sofrem com os efeitos danosos da seca. Muitas comunidades da Terra Ind√≠gena Xacriab√°, contam com sistemas de abastecimentos de √°gua que funcionam de forma prec√°ria, atrav√©s de Po√ßos Artesianos com bombeamento por compressores e com distribui√ß√£o, em determinada √©poca, racionada. Muitas comunidades n√£o tem √°gua pot√°vel, centenas de fam√≠lias carecem do l√≠quido precioso, principalmente, nas localidades de Morro Falhado, Caatinguinha e Cust√≥dio. Nas demais localidades, assistimos impotentes, aquela gente sofrida, garimpar √°gua nos leitos agonizantes dos riachos e das lagoas, resistindo bravamente os efeitos deste sombrio e lament√°vel quadro, onde a seca √© sempre a parceira cont√≠nua das doen√ßas, da pen√ļria e da fome, os colocando nos limites da mais absoluta e extremada pobreza. Contra esta situa√ß√£o, a Prefeitura e a FUNASA, v√™m trabalhando muito, na luta pelo melhoramento das condi√ß√Ķes de Saneamento e erradica√ß√£o da pobreza.

As p√©ssimas condi√ß√Ķes do passado, com seq√ľelas presentes, provoca, ainda, o √™xodo rural, principalmente, da popula√ß√£o mais jovem, que est√° migrando para o interior de S√£o Paulo e Mato Grosso do Sul, em busca de emprego nas Usinas de produ√ß√£o de A√ß√ļcar ou para as capitais dos estados, a procura de trabalho na constru√ß√£o civil. Incontestavelmente, ainda existe,

principalmente na √°rea ind√≠gena, um ‚Äúbols√£o‚ÄĚ de mis√©ria e desnutri√ß√£o, constituindo um verdadeiro desafio na luta pela sobreviv√™ncia, numa

situação que se perpetua ao longo dos anos em um círculo vicioso, representado por baixa renda çè desnutrição çè baixa qualidade de vida .

RECURSOS H√ćDRICOS

Ainda est√£o perenes, mas em vis√≠vel agonia, os seguintes cursos de √°gua: Rio Itacarambi, Riacho do Brejo de Mata Fome e Olhos D‚Äô√Āgua. Cortados e/ou secos, Riacho do Sumar√©, Riacho da Prata, Riacho de Pinda√≠bas, Riacho da Imba√ļba, Riacho das Vargens, Riacho do Sap√©, Riacho dos Buritis, Riacho da Caatinguinha e Riacho do Itacarambizinho. Na Caatinguinha dois a√ßudes e 8 cacimbas totalmente secos. PO√áOS TUBULARES: 18 (dezoito) Sumar√© I, Sumar√© II, Barreiro Preto, Forges, Defuntos, Muringa, Pedra Redonda, Terra Preta, Santa Cruz, Coqueiros, Prata, Sabonete, Bebedouro, Sim√£o Corr√™a, Rancharia I e II, S√≠tio e S√£o Bernardo, cuja capta√ß√£o se faz atrav√©s de compressores, suc√ß√£o e bomba submersa.

A FESTA DO PADROEIRO

√Č por meio de suas festas tradicionais que as comunidades estreitam seus la√ßos e mant√™m suas identidades como grupos, celebrando, tamb√©m, a vida cotidiana.

A Administra√ß√£o Municipal, atrav√©s da realiza√ß√£o atividades festivas, projetadas e executadas a cada ano, procura, na medida do poss√≠vel, consolidar a condi√ß√£o de S√£o Jo√£o das Miss√Ķes, como cidade polo do turismo religioso, na regi√£o norte do Estado de Minas Gerais.

Os investimentos realizados pelo Poder P√ļblico Municipal, tem por escopo e objetivo primordial, a preserva√ß√£o de uma manifesta√ß√£o religiosa secular, cuja cultura, conserva tradi√ß√Ķes que s√£o passadas de gera√ß√£o para gera√ß√£o, funcionando como uma s√ļplica coletiva e revelando o imagin√°rio popular.

A Programação elaborada a cada ano, traz em seu bojo, o compromisso com a difusão dos valores culturais da região, a valorização da cultura local, e sobretudo, a preservação de uma manifestação religiosa que faz história e tem reminiscências com mais de duzentos anos.

ORIGEM: Wikipédia, a enciclopédia livre

 

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